segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Fotografias



Lembras-te daquele sorriso?
Daqueles dias que passavam tão rápido quando estava ao pé de ti?
E daquela vez em que fizemos promessas carinhosas, como nunca mas nunca algum dia deixaríamos de perder o sentimento tão bonito e puro que nos unia.
Sorriamos lado a lado, sofríamos lado a lado. Os dias eram todos diferentes, cada um mais especial que o outro. E tudo o que parece nos destruir enfrentava-mos e ultrapassava-mos.

Lembrei-me de rever as fotografias que tiramos quando a união ainda existia. Quando ainda o elo que nos unia estava sólido. Aqueles nossos sorrisos...aqueles nossos abraços...
Sabes, eu posso dizer olhando para estas fotografias do passado que nada iria ser forte o suficiente para quebrar a ponte entre as nossas almas.
Fecho os olhos e as minhas lágrimas escorrem, só me passa pela cabeça perguntas sem resposta. Não percebo o que queres de mim.
Abro os olhos, e de novo o meu olhar se cruza com o teu nesta fotografia. Vejo-me ao teu lado com a alma iluminada e um olhar que transmite compaixão.
Poderia eu esquecer-me destas fotografias?
Os meus olhos desta vez fecham-se involuntariamente.
Sim, eu posso rasgar estas fotos, pois nada disto hoje faz sentido. Tudo se perdeu. Tudo se desfez.

Basta saber que és a razão das minhas lágrimas. Não importa mais o passado, quando é no presente que eu vivo.

Não entendo o porquê de uma pureza se poluir tanto ao ponto de quebrar
Nem irei entender...
Rasgo a nossa fotografia, partindo o meu coração aos pedaços. Sinto que estou a quebrar o ultimo fio de esperança que ainda nos unia.
Mas no fundo, esse fio era só uma ilusão criada pela minha mente, para me fazer acreditar que ainda seria possível voltar a ter aquele brilho nos olhos e aquele laço que nos unia.

Mas só assim é que poderei seguir em frente e fazer novas fotografias da minha vida

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Grãos de areia



Os meus olhos ardem, queimam ao mesmo tempo que a minha alma sufoca.
Ardem por observarem tanta desilusão. Tantos grãos de areia que me protegiam da realidade, e que agora caíram no chão. Como acharias que me iria sentir? Quando o acumular de mentiras me fizesse acordar? Quando a lamina que me fincavas na pele fosse fundo o suficiente para me fazer sangrar desta maneira?
Ás vezes tento fingir que o que os meus olhos vêem não é a realidade. Que a realidade é mentira, e que a mentira é a realidade. Mas por vezes isso não é suficiente para não me magoar nem para esquecer.
Os dias azuis são agora cinzentos, tendo a escurecer cada vez mais à medida que o tempo passa. A magia que existia desapareceu, já nada disto faz sentido. Empurraste-me lentamente para o abismo, ignorando o que sentia, fingindo que o passado não existe. Agora estou a sangrar enquanto tu observas friamente. Pergunto-me como não me protegi de ti? Talvez porque ainda acreditava estupidamente que não me iriam fazer isto de novo. Talvez porque me tinha sarado e acreditado que tu eras diferente. Não consigo ver, os meus olhos continuam a arder, não consigo acreditar...não consigo aceitar nem ver o que fizeste comigo. Tantos cortes na minha alma que não param de sangrar...tanta dor que se imergiu no meu espírito, na minha pele, nos meus olhos! És uma desilusão...