segunda-feira, 3 de maio de 2010

A minha melhor amiga



À tanto tempo que não escrevia algo para um pedaço de papel... Escrever é-me uma forma de libertar as más energias, de partilhar e desabafar o que me vai na alma. A escrita era a minha melhor amiga, e foi com ela partilhei tristezas, dor, rancor, amargura, lágrimas, angustia, pesadelos e sonhos desfeitos. O seu silêncio para com as minhas palavras traziam-me um pouco de conforto, e saber que podia desabafar o que sentia sem qualquer medo era-me de certa forma aliciante.
Hoje olhei para este pedaço de papel à espera de ganhar inspiração para escrever, mas nada me surgiu à cabeça. A minha vida deu tantas voltas...hoje sou uma pessoa diferente daquela que procurava, diariamente, por uma folha de papel
E quando escrevia sobre a folha, ela ia sentindo pequenas gotas das minhas lágrimas sobre si à medida que ia a tatuando com a minha escrita, os meus sentimentos e a toda minha dor ali imergida naquele pedacinho de papel.
Existiam dias em que não seriam apenas meras lágrimas sobre a minha face que caiam levemente sobre a folha...havia sangue que escorria-me dos pulsos e manchavam de vermelho a folha branca de papel. Esse sangue que escorria e me tirava lenta e dolorosamente um pouco de mim, e um pouco da minha vontade em viver ou lutar por o que quer que seja.
Eu sei que podia desabafar, com ela e só com ela. Não iria sentir um abraço, nem ouvir palavras carinhosas que podesse acalmar o meu coração, mas também sabia que ao menos não a iria magoar com a minha dor, seria o nosso pequeno segredo.
Os dias foram passando, e hoje noto que já não procuro a minha melhor amiga como o fazia. Já não tenho lágrimas nem sangue que me possam corroer a alma, as tristezas existem, mas não com a intensidade com que existam. O ódio tornou-se quase inexistente com a vinda do amor à minha vida, o arrependimento ainda me incomoda mas tolero-o com a minha vontade de viver. Os sonhos que perdi e os sonhos que descobri serem impossíveis atormentam-me, mas já não tanto, pois novos sonhos surgiram e com muita força. Amizades que me magoavam joguei-as fora e criei novas e verdadeiras amizades. Hoje eu sorriu, e ganhei motivos para continuar a viver, e de forma optimista e feliz. Apesar do negativismo ainda me assombrar, isso não é nada comparado com a descoberta que mudou a maneira negra com que via as coisas, o amor. E é isso que me faz não recorrer tanto à minha melhor amiga como antigamente, mas eu sei que ela entende-me.